Respeito e dignidade no hospital: por que a forma como o paciente é tratado importa tanto?
Respeito e dignidade no hospital: por que a forma como o paciente é tratado importa tanto?
Sou autor de um estudo científico publicado em uma revista médica internacional que avaliou algo essencial, mas muitas vezes invisível no cuidado em saúde: como o paciente se sente tratado durante uma internação hospitalar.
Quando alguém é internado, não enfrenta apenas uma doença. Há perda de privacidade, dependência de outras pessoas, medo, insegurança e, muitas vezes, a sensação de não ser ouvido. Nosso estudo ajudou a validar, no Brasil, um questionário ( O PRIMEIRO) que permite ao próprio paciente dizer se se sentiu respeitado, informado e tratado com dignidade durante a internação.
Essa escala avalia aspectos como:
se a privacidade foi respeitada,
se o paciente se sentiu ouvido e levado a sério,
se recebeu informações claras sobre seu tratamento,
e se foi tratado como pessoa — e não apenas como um “caso” ou um “leito”.
Os resultados mostraram que pacientes mais ansiosos tendem a perceber menos dignidade no cuidado recebido, o que reforça algo fundamental: cuidar da saúde mental faz parte de cuidar da saúde como um todo. A forma como o profissional fala, escuta e se relaciona com o paciente pode influenciar diretamente a experiência de adoecer e se recuperar.
Esse trabalho reflete meu compromisso com uma medicina que vai além de exames e prescrições, valorizando o respeito, a escuta e a humanidade no cuidado. Tratar bem não é um detalhe — é parte essencial do tratamento.
Como citar esse artigo:
Pereira Dutra PE, Quagliato LA, Zaragoza BC, et al. Validation of the Adapted Scale of Perception of Respect for and Maintenance of the Dignity of the Inpatient for Brazilian Portuguese: a multicenter cross-sectional study. Primary Care Companion for CNS Disorders. 2026;28(1):25m04019. doi:10.4088/PCC.25m04019.