Catatonia: sinais de alerta e avaliação urgente
Pablo E. P. Dutra, MD, MSc Psych.
Médico Psiquiatra · CRM-RJ 52.84015-7 · RQE 26100
Atualizado em 25 de outubro de 2026.
Catatonia é uma síndrome que altera de maneira importante os movimentos, a fala e a resposta ao ambiente. Pode envolver imobilidade e pouca resposta, mas também agitação intensa. Seu reconhecimento exige avaliação médica e, em muitos casos, atendimento de urgência.
Se uma pessoa está muito imóvel, não responde como habitualmente, deixou de ingerir líquidos ou alimentos, ou apresenta febre e alteração importante do comportamento, procure um serviço de emergência.
Quais sinais podem aparecer?
As manifestações incluem combinações de imobilidade, redução acentuada da fala, resistência a solicitações ou movimentos, manutenção de posturas incomuns, repetição de palavras ou gestos, movimentos repetitivos e agitação que não se explica claramente por estímulos externos.
No DSM-5-TR, o diagnóstico considera a presença de pelo menos três entre doze sinais definidos. A avaliação deve examinar o conjunto e o contexto clínico; ficar calado, recusar uma atividade ou apresentar um movimento repetitivo, isoladamente, não estabelece catatonia (APA, 2022).
Em quais condições pode ocorrer?
A catatonia pode acompanhar transtornos do humor, transtornos psicóticos, condições do neurodesenvolvimento e diferentes doenças clínicas ou neurológicas. Também é necessário investigar medicamentos, substâncias e situações de retirada. Não se deve presumir que uma pessoa com diagnóstico psiquiátrico anterior tenha uma causa exclusivamente psiquiátrica para o quadro atual.
Por que a avaliação pode ser urgente?
O comprometimento da ingestão de líquidos e alimentos, a imobilidade e outras alterações podem causar complicações médicas. A urgência é ainda maior quando há febre, instabilidade clínica, exaustão ou redução importante da resposta. Reconhecimento e tratamento precoces são recomendados pelas diretrizes de manejo (Rogers et al., 2023).
Como é feita a investigação?
A avaliação reúne exame clínico e do estado mental, história dos sintomas e tratamentos, revisão de medicamentos e busca de sinais que indiquem uma causa específica. Escalas clínicas podem ajudar a organizar o exame e acompanhar a resposta.
Exames laboratoriais, neurológicos ou de imagem são selecionados conforme os achados. O diagnóstico diferencial pode incluir delirium, crises epilépticas, condições neurológicas e síndromes relacionadas a medicamentos, entre outras possibilidades.
Como funciona o tratamento?
O cuidado envolve tratamento específico da catatonia, investigação e manejo da condição associada e prevenção de complicações. Benzodiazepínicos e eletroconvulsoterapia são opções centrais nas diretrizes, escolhidas conforme gravidade, resposta, riscos e contexto assistencial (Rogers et al., 2023).
Essas intervenções precisam de avaliação e monitorização em serviço adequado. A orientação sobre medicação não pode ser substituída por uma lista de sintomas ou por tentativa de tratamento em casa.
O que familiares devem informar à equipe?
Quando ocorreu a mudança em relação ao comportamento habitual.
Se a pessoa está ingerindo líquidos, comendo, dormindo e urinando.
Presença de febre, quedas, convulsões ou outras alterações clínicas.
Medicamentos em uso e mudanças recentes nas doses.
Uso ou interrupção de álcool e outras substâncias.
Episódios semelhantes e tratamentos anteriores.
Perguntas frequentes
Catatonia ocorre apenas na esquizofrenia?
Não. Ela pode estar associada a diferentes condições psiquiátricas, clínicas e neurológicas.
Uma pessoa agitada pode ter catatonia?
Sim. A síndrome pode incluir agitação, além das apresentações com lentificação e imobilidade. É necessário exame médico para diferenciar outras causas.
Devo esperar uma consulta de rotina?
Quando há suspeita de catatonia em curso, especialmente com pouca resposta ou dificuldade de alimentação e hidratação, a avaliação deve ocorrer em serviço de urgência.
Acompanhamento no Rio de Janeiro
Após a avaliação e a estabilização do quadro agudo, o acompanhamento psiquiátrico pode abordar a condição associada e a continuidade do cuidado. O consultório fica na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Se há suspeita de catatonia em curso, procure um serviço de emergência; não aguarde agendamento ambulatorial.
Informações sobre acompanhamento presencial · Esquizofrenia · Transtorno bipolar
Conteúdo informativo. O diagnóstico e o tratamento dependem de avaliação médica individual.
Referências científicas
American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders. 5th ed., text rev. 2022.
Rogers JP, Oldham MA, Fricchione G, et al. Evidence-based consensus guidelines for the management of catatonia: recommendations from the British Association for Psychopharmacology. J Psychopharmacol. 2023;37(4):327-369. doi:10.1177/02698811231158232.

